Destaques

“Às vezes a mulher não se percebe como vítima, acha que aquilo é normal”, enfatiza delegada Raquel Schneider sobre casos de violência

today31/03/2025 36

Fundo
share close

Titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Santa Cruz do Sul (Deam), participou do programa Conexão Regional desta segunda-feira, 31

Na manhã desta segunda-feira, 31, o programa Conexão Regional, com Josemar Santos, recebeu a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Santa Cruz do Sul (Deam), a delegada Raquel Schneider. Na oportunidade, foram enfatizados pontos na luta pelo combate à violência contra a mulher.

A delegada destacou a queda nos números de feminicídios no Rio Grande do Sul e falou sobre o perfil dos agressores. “Tivemos uma queda de 15% nos números de feminicídios no ano passado. O maior número de casos no estado são cometidos por homens entre 35 e 45 anos, a maioria com filhos. Acontecem em todas as classes, mas notamos que, na maioria dos casos, existe uma dependência econômica, mas principalmente a dependência psicológica, às vezes a mulher não se percebe como vítima, acha que aquilo é normal”, observa.

Raquel descreve algumas medidas de prevenção. “Hoje existem diversos mecanismos de defesa, temos as medidas protetivas, casas de passagens, aluguéis sociais que são oferecidos, além de questões trabalhistas, com as mulheres podendo ter seu trabalho assegurado caso tenham que ficar sem ir ao trabalho”, revela. “Outra novidade foi o uso da tornozeleira eletrônica para agressores. São usadas nos casos considerados mais graves, é uma medida que visa evitar o feminicídio, já que são casos em que o perigo é mais intenso, buscando evita o fator surpresa”, frisa.

Ela ainda comenta sobre o perfil das mulheres que buscam o atendimento. “Cada caso é um caso, mas na maioria dos casos já vem de um histórico de agressões. No ano passado, por exemplo, em 60% dos feminicídios as mulheres não tinham registrado a ocorrência. A maioria que chega na delegacia já passou da fase das brigas verbais. Infelizmente a maioria já chega na delegacia com agressões físicas”, enfatiza.

A delegada ainda elencou ações a serem realizadas pensando no futuro. “O trabalho tem que ser em conjunto, com um trabalho a ser realizado com as crianças, pois infelizmente muitas crescem em um ambiente de constante agressão e podem acabar acreditando que isso seja normal e vire um possível agressor no futuro”, salienta.

Por: Henrique Bauer

Escrito por radiosantacruz.com.br

Rate it