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“Essa comissão que deveria ser de ética, se transformou numa comissão puramente política”, diz Henrique Hermany

today23/05/2024 137

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Vereador afastado do exercício concedeu entrevista à Rádio Santa Cruz nesta quinta-feira

 

Após o Ministério Público, por meio da Operação Controle, ter apresentado denúncia contra o vereador Henrique Hermany, uma liminar suspendeu o processo ético-disciplinar contra ele na Câmara de Vereadores, e o Tribunal de Justiça negou o pedido para que ele retorne ao Legislativo.

Na manhã desta quinta-feira, 23, o vereador santa-cruzense afastado do exercício, Henrique Hermany (PP), em entrevista para a Rádio Santa Cruz, falou sobre o momento que está vivendo desde o desencadeamento da Operação Controle. Hermany revelou que, ao longo dos últimos períodos, foi alvo de constantes ataques por parte de vereadores da oposição, levando situações para o Ministério Público. “Acredito ser normal que o MP investigue, apure e tenha suas conclusões sem que houvesse até aqui o contraditório. Entretanto, existe o direito de contrapor as acusações, direito de as pessoas se defenderem, e isso vai se estabelecer agora, a partir do oferecimento dessa denúncia, vai ser a primeira oportunidade que vou ter o direito de me defender”, frisa.

Segundo ele, os prazos estão suspensos devido à situação vivida no Estado, e acredita que, no mês de junho, haverá novidades e poderá fazer sua defesa sobre a Operação Controle. Em relação à suspensão do seu exercício na Câmara de Vereadores, salienta que há seis meses escuta vereadores lhe incriminarem. “Fiquei seis meses quieto, escutando, tenho família, tenho minhas filhas, que acompanham as redes sociais e que me questionam.  Eu aguentei calado até onde deu e até o oferecimento da denúncia, agora vou começar a contrapor”, ressalta.

Durante a entrevista, Hermany desafiou os que lhe acusaram e acusam a apresentarem alguma prova concreta que mostre que ele obteve alguma vantagem indevida. “No momento que isso aparecer eu renuncio o meu mandato, isso não vai aparecer, isso não existe, se criou no imaginário nas pessoas”, salienta. Ele ainda acrescenta, ainda, que irá fazer a sua defesa por vias judiciais, embora também tenha se manifestado no relatório da Comissão de Ética da Câmara de Vereadores. “Essa comissão que deveria ser de ética, se transformou numa comissão puramente política, onde já há um pré-julgamento, não fazem o papel de imparcialidade”.

Referindo-se ao viés político e à oposição na Câmara, o vereador afastado citou o nome do relator da Comissão de Ética, Leonel Garibaldi (Novo), durante a entrevista.  “O vereador Leonel tem uma condenação judicial por desviar dinheiro do SUS”, frisa. *confira nota abaixo*. Hermany foi enfático ao revelar que não existe nada que ele precise esconder de alguém. “Pode levar anos, mas as coisas se esclarecem. O que eu tenho é fruto do meu trabalho, sou advogado há mais de 20 anos, nunca tive nenhum problema ético na minha profissão”, enfatiza.

Henrique Hermany também disse que sempre irá buscar conversar com as pessoas, e que mantém  respeito por e para com todos. “Daí se cria uma narrativa que o Henrique virou um chefe de organização criminosa? Eu aceitei isso até o momento da denúncia, a partir daqui, eu vou estabelecer o contraditório, a minha defesa, vou esclarecer as situações que me cabem esclarecer”, enfatiza.

Embora esteja afastado do exercício, Hermany ainda ressalta que o seu trabalho como vereador continua. “Minha maneira de fazer política é trabalhar, de mostrar resultado, de batalhar pelas comunidades. O Henrique que sempre apoiou o esporte amador do interior, que levou a outro patamar a saúde pública da região do interior, de Monte Alverne, do Hospital Monte Alverne, que lutou pelo plantão SUS, esse é o meu trabalho, é levar resultado para as pessoas, levar melhoria de qualidade de vida, sempre que eu tiver essa oportunidade”, pontua.

Sobre a sua defesa, reitera que irá apresentá-la nos fóruns adequados, e espera em breve retomar seu mandato. “Eu estou afastado da tribuna da Câmara, mas eu continuo trabalhando”, fazendo questão de fazer uma prestação de contas dos últimos seis meses. “Tenho feito e contatos com deputados e senadores do PP, num trabalho conjunto com os vereadores Ilário Keller e Jair Eich, todos do PP. Como resultado, foram mais de R$ 2 milhões de reais liberados para Santa Cruz do Sul, R$ 500 mil reais para custeio para o Hospital Ana Nery, recursos na área da assistência social, entre outros”, considera.

*Devido ter sido citado por Henrique Hermany na entrevista, o vereador Leonel Garibaldi se manifestou por nota da seguinte forma:

“Com profunda tranquilidade venho me manifestar, após ser provocado pela imprensa, a respeito da manifestação do vereador afastado, réu em processo criminal, Henrique Hermany, que cita um processo judicial no qual fui o autor, alegando que desviei recursos do SUS e fiz a adulteração de documentos.

Me sinto tranquilo a respeito do assunto, pois, além de já saber que o vereador afastado em algum momento usaria essa situação pessoal para me atacar, afinal, já vinha me ameaçando e fazendo ilações na tribuna da câmara e em grupos de WhatsApp, também tenho plena certeza de que não agi de má-fé e não cometi irregularidade alguma.

O caso em questão se refere a um tratamento de Hepatite C Grau 4, uma doença grave, que descobri no final de 2017, encaminhei o tratamento via SUS, uma vez que ele é fornecido pelo Estado, entretanto depois de um ano os medicamentos não chegaram. Por isso, e pelo alto custo, mais de R$250 mil em medicamentos, decidi acionar a União, Estado e Município Judicialmente em fevereiro de 2019, tendo ganho em liminar, devido à gravidade do caso, em março do mesmo ano. Entretanto, os entes da federação não depositavam o valor correspondente ao tratamento.

Somente em junho de 2019 o juiz determinou o bloqueio de recursos do Estado e do Município, deixando os valores equivalentes à minha disposição em uma conta judicial.

Ao buscar a compra dos medicamentos, no entanto, descobri que o Ministério da Saúde havia alterado o protocolo de tratamento da doença, o que encerrou a produção dos fármacos em questão, os quais foram substituídos por um protocolo novo, mais eficiente e muito mais barato, de apenas R$95 mil.

Por óbvio, não perdi tempo e comprei os medicamentos do novo protocolo. Fiz isso de tão boa-fé que, em seguida, depositei todo o valor restante que havia recebido na causa de volta na conta judicial.

No entanto, o juiz da causa entendeu que eu deveria ter realizado uma solicitação formal à justiça para comprar outro medicamento, mesmo ele sendo o protocolo recomendado pelo SUS. Com isso, fui condenado a devolver todo o valor da causa, decisão da qual estou recorrendo até hoje.

Tenho todos os comprovantes, orçamentos, notas fiscais, documentos que atestam minha boa-fé e minha inocência. O que é inaceitável é a acusação do vereador afastado de que algum destes documentos foi supostamente adulterado e, sobre isso, ele terá que responder judicialmente.

Encerro lamentando que o vereador afastado tenha trazido à tona um momento em que estive lutando para salvar minha própria vida quando, na verdade, deveria estar apresentando sua defesa contra as acusações graves que está enfrentando no Conselho de Ética e na Justiça Criminal.”

Por: Lauren Fernandes

Escrito por Jornalismo

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